O Corpo Se Inquieta, a Imagem Aparece: Coreografia e Visualidade Política na Dança

Autores

  • Carlos de Moura Veloso Junior Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brazil https://orcid.org/0009-0003-8023-1027

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.7102

Palavras-chave:

arte, dança, coreografia, imagem, política

Resumo

Este artigo apresenta um estudo comparativo qualitativo sobre a produção de imagens coreográficas na dança brasileira, compreendendo a imagem não como ilustração formal, mas como acontecimento perceptivo fabricado pelo corpo em movimento. A análise concentra-se em duas obras criadas em contextos históricos distintos, porém atravessados por regimes autoritários de direita: Kuarup (1977), do Ballet Stagium, concebida durante a ditadura civil-militar brasileira, e Objeto Abjeto Ambulante (2018), do Coletivo Corpos Falantes, criada no contexto do avanço da extrema direita no Brasil contemporâneo. O estudo investiga como essas obras produzem imagens que se organizam entre dois regimes perceptivos: o fluxo contínuo do movimento e a suspensão do gesto, compreendidos como estratégias estéticas e políticas de elaboração crítica do tempo histórico. Metodologicamente, a pesquisa articula a análise de registros audiovisuais, fotografias de cena, entrevistas e materiais de circulação pública, tratando a coreografia como um dispositivo de fabricação do sensível. Em Kuarup, as imagens coreográficas operam por meio da alegoria, do mito e da coralidade, produzindo experiências perceptivas capazes de atravessar a censura estatal sem recorrer à nomeação direta da violência política. Já em Objeto Abjeto Ambulante, a imagem emerge da exposição explícita do corpo coletivo periférico, que articula memória histórica, vivências territoriais e enunciação direta da violência no tempo presente. A comparação evidencia que as imagens coreográficas são inseparáveis dos regimes históricos, institucionais e sensíveis que as produzem, revelando a dança como prática crítica capaz de reorganizar modos de ver e partilhar a política por meio da experiência coreográfica.

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Biografia do Autor

  • Carlos de Moura Veloso Junior, Programa de Pós-Graduação em Artes da Cena, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brazil

    Carlos de Moura Veloso Junior é multiartista, historiador e professor de dança. Atua como bailarino, intérprete-criador, coreógrafo e diretor artístico do Coletivo Corpos Falantes, coletivo independente sediado na zona leste de São Paulo. É doutorando em Artes da Cena pela Universidade Estadual de Campinas, mestre e bacharel em História pela Universidade Federal de São Paulo. Sua pesquisa articula dança, imagem, memória e política, com ênfase nos regimes autoritários, na produção do sensível e nas relações entre corpo e história na cena brasileira. Desenvolve também estudos sobre políticas públicas culturais para a dança e atua na elaboração de projetos culturais voltados à criação, formação e circulação artística.

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Publicado

2026-09-30

Como Citar

O Corpo Se Inquieta, a Imagem Aparece: Coreografia e Visualidade Política na Dança. (2026). Vista, 18, e026012. https://doi.org/10.21814/vista.7102

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