“Uma História que se pode tocar”: apropriações artísticas da Guerra Colonial a partir de Sandro Ferreira

Autores

  • Joana Miguel Almeida

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.3000

Palavras-chave:

guerra, memória, arquivo

Resumo

Pretende-se atentar às práticas artísticas contemporâneas que versam sobre a Guerra Colonial Portuguesa, tomando como caso de estudo um conjunto de obras do artista Sandro Ferreira (1975). Ferreira faz parte da segunda geração da Guerra Colonial: a dos filhos da Guerra, aquela que não a viveu diretamente e que Marianne Hirsch designou de “geração da pós-memória” (2012). Na demanda que urge, para recordar este episódio da nossa História coletiva e de compreender uma história que, com frequência, coabita, silenciosa, nas nossas casas, Sandro Ferreira resgata e expõe pequenas memórias, colecionando e apropriando-se, na sua prática criativa, de memorabilia de Guerra e, sobretudo, de arquivos privados como cartas ou fotografias pessoais. Deste modo, pretende-se, a partir do trabalho criativo de Sandro Ferreira, indagar sobre o modo como as artes visuais se podem tornar, contemporaneamente, ferramentas contra o silêncio ou o esquecimento.

Downloads

Os dados de download ainda não estão disponíveis.

Referências

Almeida, J. (2014). Apropriação do Arquivo Privado do Período da Guerra Colonial na Prática Artística Contemporânea Portuguesa. Dissertação de Mestrado, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, Lisboa, Portugal.

Almeida, S. V. de. (2012). Que nação é esta? Tramas identitárias nas artes visuais portuguesas. Visualidades, 10(1), 39–61.

Antunes, M. J. L. (2015). Regressos Quase Perfeitos. Memórias da Guerra em Angola. Lisboa: Tinta da China.

Antunes, M. J. L. (2017). O que se vê e o que não pode ser visto: fotografia, violência e Guerra Colonial. In E. Peralta, B. Góis, & J. Oliveira (Eds.), Retornar. Traços de Memória do Fim do Império (pp. 213–224). Lisboa: Edições 70.

Clifford, J. (1988). On Collecting Art and Culture. In The Predicament of Culture: Twentieth-Century Ethnography, Literature and Art. Cambridge: Harvard University Press.

Cruzeiro, M. M. (2004). As mulheres e a Guerra Colonial: Um silêncio demasiado ruidoso. Revista Crítica de Ciências Sociais, 31–41.

Dias, J. A. B. F. (2001). Arte e Antropologia no século XX: modos de relação. Etnográfica, V, 103–129.

Enwezor, O. (2008). Archive Fever: Uses of Document in Contemporary Art. Nova Iorque, Gottingen: Steidl.

Ferreira, J. M. (1993). Portugal em Transe (1974-1985). In José Mattoso (Dir.), História de Portugal. Lisboa: Círculo de Leitores.

Foster, H. (2004). An Archival Impulse. October, (110), 3–22.

Foster, H. (2006). O Artista Como Etnógrafo. In M. R. Sanches (Ed.), Portugal não é um País Pequeno - contar o «Império na Pós-Colonialidade» (pp. 171–204). Lisboa: Cotovia.

Freud, S. (1989). O Sentimento de Algo Ameaçadoramente Estranho. Em Textos Essenciais sobre Literatura, Arte e Psicanálise (pp. 209–242). Mem-Martins: Publicações Europa América.

Gil, J. (2005). Portugal Hoje – O Medo de Existir. Lisboa: Relógio D’Água.

González, J. L. M. & Torres, E. M. Á. (2012). El Objeto Como Testimonio: Cuando el artista se convierte en antropólogo. Antropología Experimental, 0(12). Retirado de http://revistaselectronicas.ujaen.es/index.php/rae/article/view/1912

Guerra, J. P. (1994). Memória das Guerras Coloniais. Porto: Edições Afrontamento.

Handler, R. (1988). Nationalism and the Politics of Culture in Quebec. Madison: The Wisconsin University Press.

Hirsch, M. (1997). Family Frames: Photography, Narrative and Postmemory. Cambridge: Cambridge University Press.

Hirsch, M. (2008). The Generation of Postmemory. Poetics Today, 29(1), 103–128. https://doi.org/10.1215/03335372-2007-019

Hirsch, M. (2012a). An Interview With Marianne Hirsch. Retirado de https://cup.columbia.edu/author-interviews/hirsch-generation-postmemory

Hirsch, M. (2012b). The Generation of Postmemory. Writing and Visual Culture after the Holocaust. Cambridge: Cambridge University Press.

Wertsch, J. & Billingsley, D. (2011). The Role of Narratives in Commemoration: Remembering as Mediated Action. In H. Anheier & Y. R. Isar (Eds.), Heritage, Memory & Identity (pp. 25–38). Londres: Sage.

Kirshenblatt-Gimblett, B. (1998). Destination Culture, Tourism, Museums and Heritage. Berkeley: University of California Press.

LaCapra, D. (2004). History in Transit. Experience, Identity, Critical Theory. Nova Iorque: Cornel University Press.

Lowenthal, D. (1985). The Past is a Foreign Country. Cambridge: Cambridge University Press.

Madeira, C. (2016a). A arte contra o silêncio. Relações entre arte e guerra colonial. Revista Colóquio/Letras, (Ensaio, 191), 95–108.

Madeira, C. (2016b). Arte da Performance e Guerra Colonial Portuguesa. Media & Jornalismo, [S.l.], 16(29), 15–25.

Oliveira, A. B. de. (2016a). De mercados de rua, álbuns de guerra e filmes de família à prática artística contemporânea: descolonizando o presente através do arquivo colonial. In S. Sampaio, F. Reis, & G. Mota (Eds.), Atas do V Encontro Anual da AIM (pp. 180– 193). Lisboa: AIM.

Oliveira, A. B. de. (2016b). Descolonização em, de e através das Imagens de Arquivo «em Movimento» da Prática Artística. Comunicação e Sociedade, 29, 107–129.

Oliveira, A. B. de. (2017). Avó e O Jogo, ou o Arquivo Colonial «em Movimento» nos Vídeos de Raquel Schefer. Revista África(s), 4(7), 19–27.

Peralta, E. (2013). A composição de um complexo de memória: o caso de Belém. Em N. Domingos & E. Peralta (Eds.), Cidade e império: dinâmicas coloniais e reconfigurações pós-coloniais (pp. 361–407). Lisboa: Edições 70.

Peralta, E., & Oliveira, J. G. (2016). Pós-memória como herança: fotografia e testemunho do «retorno» de África. Configurações. Revista de Sociologia, (17), 181– 197.

Ribeiro, M. C., & Ribeiro, A. S. (2013). Os netos que Salazar não teve: Guerra Colonial e memória de segunda geração. Abril - Revista do Núcleo de Estudos de Literatura Portuguesa e Africana da UFF, 5(11), 25–36.

Ribeiro, M. C., & Vecchi, R. (Org.). (2011). Antologia da Memória Poética da Guerra Colonial. Porto: Edições Afrontamento.

Schneider, A. (1993). The Art Diviners, Anthropology Today, 9(2), 3-9.

Schneider, A. & Wright, C. (2006). Contemporary Art and Anthropology. New York: Berg.

Schneider, A., & Wright, C. (2010). Between Art and Anthropology - Contemporary Ethnographic Practice. Nova Iorque: Berg.

Simine, S. A. (2013). Mediating Memory in the Museum - Trauma, Empathy, Nostalgia. Hampshire e Nova Iorque: Palgrave Macmillan.

Smith, L. (2006). Uses of Heritage. Nova Iorque e Londres: Routledge.

Spieker, S. (2008). The Big Archive: Art From Bureaucracy. Massachusetts: MIT Press.

Vecchi, R. (2010). Excepção Atlântica. Pensar a Literatura da Guerra Colonial. Porto: Edições Afrontamento.

Downloads

Publicado

2018-06-26

Como Citar

“Uma História que se pode tocar”: apropriações artísticas da Guerra Colonial a partir de Sandro Ferreira. (2018). Vista, 2, 165-184. https://doi.org/10.21814/vista.3000

Artigos Similares

Também poderá iniciar uma pesquisa avançada de similaridade para este artigo.