Poéticas e Políticas da Autorrepresentação na Fotografia Africana e Afrodescendente em Portugal
DOI:
https://doi.org/10.21814/vista.7055Palavras-chave:
fotografia contemporânea, descolonização, autorrepresentação, arquivo, memóriaResumo
O artigo analisa processos contemporâneos de descolonização do olhar e de autodeterminação visual na fotografia africana e afrodescendente em Portugal, entendendo a imagem como um campo de disputa em torno da representação, da memória e da cultura visual. A discussão proposta tem como base um fenômeno que ocorre atualmente em Portugal e em diversos locais do mundo: o impulso de emancipação do olhar desses sujeitos e seu reposicionamento nas culturas visuais como reivindicação à equanimidade nos diálogos interculturais. Esse processo se manifesta na produção de narrativas visuais como forma de luta por visibilidade, reconhecimento e reparação histórica, estratégias que chamamos aqui de “autorrepresentação” e “autorreparação” na fotografia contemporânea. Partindo da crítica à fotografia como tecnologia colonial de controle e apagamento, apoiada em autores como Hall, Mirzoeff, Azoulay, Sealy e hooks, o artigo analisa as exposições Africa: See You, See Me! e Álbuns de Família, e os trabalhos artísticos de José Sérgio e Marta Pinto Machado, que ativam a autorrepresentação como estratégia para construir novas sensibilidades coletivas e disputar o lugar da população negra na cultura visual portuguesa, posicionando a fotografia como gesto de autoinscrição e reinvenção do comum. O texto conclui que tanto as exposições quanto os trabalhos analisados compartilham uma espécie de solidariedade ética e política, que se conectam entre si pelo anseio de visibilidade, reconhecimento e justiça.
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