Vermelho Vivo: Afeto, Resistência e Curadoria Como Cartografia Insurgente nos Territórios Lusófonos
DOI:
https://doi.org/10.21814/vista.7122Palavras-chave:
curadoria, artivismo, afetos políticos, estética decolonial, feminismosResumo
Este artigo analisa a exposição Vermelho Vivo: Amor & Revolução, com curadoria da autora Ângela Ferreira (também conhecida como Berlinde), como um projeto curatorial e transmédia de grande escala, realizado no nordeste do Brasil, no Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque, em Fortaleza, que articula memória política, insurgência estética e afeto radical nos territórios lusófonos. Ancorada na comemoração dos 50 anos da Revolução dos Cravos em Portugal e nos 60 anos do golpe militar no Brasil, a exposição é abordada como uma cartografia insurgente, que convoca histórias partilhadas de resistência anticolonial, luta feminista e imaginação emancipatória, atravessando contextos marcados pela violência colonial, repressão ditatorial e processos inacabados de democratização. A partir de práticas artísticas decoloniais, feministas e indígenas, Vermelho Vivo configura-se como um arquivo vivo que recusa narrativas lineares e formas monumentais de memória. O artigo propõe a curadoria como uma prática situada, relacional e sensível, encarada como um gesto de artivismo encarnado, que mobiliza imagens, arquivos, poesia e dimensões sonoras para reativar imaginários coletivos e produzir deslocamentos críticos no presente. Dialogando com autoras e autores como bell hooks, Sara Ahmed, Suely Rolnik, Édouard Glissant e Denise Ferreira da Silva, o texto explora o afeto, o desejo e a opacidade como forças políticas e epistemológicas capazes de tensionar regimes hegemónicos de visibilidade, conhecimento e representação. A exposição é analisada enquanto espaço de fricção entre passado e futuro, no qual a memória não é fixada nem monumentalizada, mas ativada como campo de disputa, escuta e reinvenção. Ao articular insurgências feministas, cosmologias indígenas e legados revolucionários, Vermelho Vivo afirma a curadoria como prática crítica de cuidado e confronto, posicionando a arte como lugar de resistência ativa face às crises contemporâneas da democracia, da ecologia e da imaginação política.
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