Corpos Ausentes, Memórias Suspensas

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.7093

Palavras-chave:

imagem, memória, vestígios, mineração, mina do Morro Velho

Resumo

Esse artigo investiga como a tensão entre presença e ausência revela os modos pelos quais imagens participam da produção do espaço, da memória e da administração do sensível no contexto da mineração aurífera da mina do Morro Velho, em Nova Lima (Minas Gerais, Brasil). A partir da fotografia de um antigo vestiário, é analisado como enquadramentos visuais, legendas e escolhas curatoriais produzem regimes de visibilidade que naturalizam o apagamento dos corpos que sustentaram a atividade extrativista de base colonial e capitalista. Mobilizando Benjamin, Butler, Azoulay, Lefebvre, Federici e Graeber, o texto propõe “pensar por imagens” para mostrar como a cena saturada de objetos e esvaziada de trabalhadores opera uma política da ausência, na qual tanto o trabalho produtivo quanto o trabalho reprodutivo que o sustenta são retirados do campo de aparição. O vestiário surge como espaço liminar cujos vestígios materiais funcionam como fantasmagorias e agentes de memória, permitindo formular perguntas que desobedecem ao enquadramento museal e reabrem a história da mineração pela via crítica. Ao tratar a imagem como artefato complexo, o artigo evidencia como a narrativa oficial silencia vidas que foram essenciais para a economia local e, ao mesmo tempo, indica que elas resistem e insistem em reaparecer como rastro e possibilidade. Escavar essas imagens torna-se gesto político de reinscrição histórica, capaz de desafiar a neutralidade documental, reativar tensões apagadas e propor outros modos de ver e reconhecer as vidas que sustentaram o trabalho produtivo e reprodutivo, mas que permanecem invisibilizadas na memória institucional.

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Biografias do Autor

  • Marina Gil Pádua, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Escola de Arquitetura, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Marina Gil de Pádua é mestranda em Arquitetura e Urbanismo (Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais) e integrante do grupo Cosmópolis (Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).

  • Carolina Maria Soares Lima, Departamento de Análise Crítica e Histórica da Arquitetura e do Urbanismo, Escola de Arquitetura, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Carolina Maria Soares Lima é doutora em Arquitetura e Urbanismo no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais, professora no Departamento de Análise Crítica e Histórica da Arquitetura e Urbanismo, mestre em Geografia. Pesquisadora do grupo Cosmópolis (Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e do Observatório das Metrópoles.

  • Ísis Detomi, Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo, Escola de Arquitetura, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, Brasil

    Ísis Detomi é doutoranda em Arquitetura e Urbanismo no Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais. É pesquisadora do Cosmópolis (Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais/Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e coordenadora nacional de Comunicação da rede BrCidades.

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Publicado

2026-06-18

Como Citar

Corpos Ausentes, Memórias Suspensas. (2026). Vista, 17, e026008. https://doi.org/10.21814/vista.7093

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