Poéticas, Imaginários e a Aesthesis Decolonial: Iconografias de Resistência no Design e na Cultura Visual do Sul Global

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.7099

Palavras-chave:

aesthesis decolonial, Sul Global, contracolonialidade, design, cultura visual

Resumo

O presente trabalho conduz um debate acerca de como as linguagens visuais e as práticas de projeto se configuram como ferramentas de resistência epistémica frente à hegemonia eurocêntrica, propondo uma ruptura com o pensamento continental e linear da modernidade. Adotando o pensamento em arquipélagos, oriundo das filosofias afrodiaspóricas, o estudo defende a multiplicidade, a subjetividade e o pluriverso como alternativas críticas fundamentais. A fundamentação teórica ancora-se no debate sobre as três dimensões da colonialidade (do poder, do saber e do ser), mobilizando o pensamento de intelectuais do Sul Global, como Aníbal Quijano, Bispo dos Santos e Ailton Krenak, para legitimar os conceitos de “decolonialidade” e “contracolonialidade”. A partir desta perspetiva, a interculturalidade e a confluência surgem como autênticas formas de resistência ontológica que resgatam saberes subalternizados e restabelecem uma relação ecológica e integrada com a natureza. No âmbito da cultura visual, opera-se uma reconstituição da aesthesis, mediada pela microestética de Katya Mandoki e pela conversão semiótica de Paes Loureiro, demonstrando que a expressão estética emana diretamente de vivências cotidianas e de mitopoéticas que atravessam o próprio território. Sob esta premissa, empreende-se uma análise iconográfica das produções de três artistas contemporâneos: Harmonia Rosales, que subverte o cânone renascentista ao centralizar divindades negras; Mael Anhangá, que ilustra a simbiose mística entre o ser caboclo e a bacia amazónica; e Daiara Tukano, que recorre a grafismos e cosmologias ancestrais para afirmar a soberania da Terra. Conclui-se que estas manifestações visuais convergem para o chamado “design das bordas” e para as visualidades multilaterais. Ao rejeitar a pretensa neutralidade e a universalidade dos padrões industriais modernos, o artigo redefine o papel do designer como um nômade epistémico, capaz de transitar por fronteiras interdisciplinares e geográficas para converter a iconografia em símbolos políticos de reexistência, abrindo caminhos inéditos de legitimação para o saber/ser/fazer de comunidades originárias e afrodiaspóricas.

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Biografias do Autor

  • Marcos de Freitas Silva Andrade, Centro de Ciências Naturais e Tecnologia, Universidade do Estado do Pará, Belém do Pará, Brasil

    Marcos Andrade é bacharel em Design pela Universidade do Estado do Pará. Exerceu a função de designer na Diretoria de Comunicação do Centro Acadêmico de Design e estagiou no Serviço de Comunicação Social do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém do Pará. Tem como foco a direção e criação de projetos gráficos, além de possuir experiência em diversas áreas do design. Dedicando-se ao desenvolvimento de soluções visuais que conectam marcas e públicos, unindo criatividade, funcionalidade e inovação. Tem interesse em pesquisas que exploram as interseções entre território, cultura, arte e design contemporâneo, abordando temas como identidade e decolonialidade; sustentabilidade e artesanato; e comunicação digital.

  • Ana Paula Freitas, Centro de Ciências Naturais e Tecnologia, Universidade do Estado do Pará, Belém do Pará, Brasil

    Ana Paula Freitas é professora adjunta da Universidade do Estado do Pará. É coordenadora do curso de bacharelado em Design. É analista de gestão em pesquisa e investigação biomédica no Instituto Evandro Chagas, Ministério da Saúde. É doutora em Design pela Universidade de Lisboa e colabora com o Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design (Universidade de Lisboa). É mestre em Sociologia pela Universidade Estadual do Ceará, especialista em Design de Embalagem pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, graduada em Comunicação Social pela Universidade Federal do Pará. É pesquisadora atuante nas áreas de educação em design, competências para o século XXI, design colaborativo e design de comunicação.

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Publicado

2026-07-28

Como Citar

Poéticas, Imaginários e a Aesthesis Decolonial: Iconografias de Resistência no Design e na Cultura Visual do Sul Global. (2026). Vista, 18, e026010. https://doi.org/10.21814/vista.7099

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