O Agora de Outrora: o cinema de Silas Tiny

Autores

  • Sérgio Dias Branco Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20), Universidade de Coimbra, Portugal

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.3067

Palavras-chave:

Cinema, Pós-colonialismo, Silas Tiny, Teoria Crítica

Resumo

Este artigo analisa a obra do cineasta documental Silas Tiny, nascido em São Tomé e Príncipe, salientando a sua importância no modo como examina criticamente o período do poder colonial português sobre regiões africanas que se libertaram dessa dominação após o 25 de abril de 1974. O argumento principal que emerge da análise das suas duas longa-metragens é o de que o seu cinema documental se constrói a partir de imagens-dialécticas, no sentido que lhe é dado por Walter Benjamin e o seu pensamento crítico. A questão que ocupa Tiny é a da superação da relação temporal entre passado e presente por uma relação dialética entre o que foi (o outrora) e o que é (o agora). Bafatá, na Guiné-Bissau, é filmada pelo realizador em Bafatá Filme Clube (2012) como uma cidade-fantasma, povoada por espectros e aparições de defuntos num local à beira da extinção. O cinema é desta forma assumido como arte espectral que liga o presente ao passado, unindo a memória à ruína. Na obra seguinte, O Canto do Ossobó (2017), Tiny lida com as suas raízes pessoais. É, em simultâneo, um reencontro com São Tomé e um encontro com a sua história — ou talvez seja um encontro com esse lugar e um reencontro com a sua história. Este filme visa descobrir e preservar reminiscências, aquilo que lembra o passado, aquilo que o pode conservar na memória, mas sempre de forma incompleta e indefinida.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Arenas, F. (2017). The Filmography of Guinea-Bissau’s Sana Na N’Hada: From the Return of Amílcar Cabral to the Threat of Global Drug Trafficking. Portuguese Literary & Cultural Studies, 30/31, 68-94. Consultado em: https://ojs.lib.umassd.edu/index.php/plcs/article/view/PLCS30_31_Arenas_page68/122 3

Benjamin, W. (2019). As Passagens de Paris. Lisboa, Portugal: Assírio & Alvim.

CEI-IUL. (2018). 18 OUT | Activisms in Docs: O Canto de Ossobó. Changing World, 18 Out. Consultado em: https://blog.cei.iscte-iul.pt/18-out-activisms-in-docs-o-canto-de- ossobo.

Cunha, P. (2015). Cinema de Garagem: Distribuição e Exibição de Cinema em Portugal. In F. Lopes, P. Cunha, e M. Penafria (Eds.), Cinema em Portugu s: VII Jornadas (pp. 117-137). Covilhã, Portugal: Editora LabCom.IFP.

Sales, M. (2019). Cinema Negro Português. In A. Costa Valente (Ed.), Avanca |Cinema 2019 (pp. 325-329). Avanca: Edições Cine-Clube de Avanca.

Tiny, S. (2019). Entrevista. In doclisboa’17 / Projecto Educativo (p. 16). Lisboa, Portugal: Apordoc – Associação pelo Documentário, 2017. Consultado em: http://www.doclisboa.org/2017/wp-content/uploads/dossier-projecto-educativo.pdf.

Tiny, S. (Realizador). (2012). Bafatá Filme Clube [Filme]. Portugal: Real Ficção. Tiny, S. (Realizador). (2017). O Canto do Ossobó (Filme). Portugal: Real Ficção.

Downloads

Publicado

2020-06-30

Como Citar

Dias Branco, S. (2020). O Agora de Outrora: o cinema de Silas Tiny. Vista, (6), 171-178. https://doi.org/10.21814/vista.3067