Repetições da Violência na Arte de Vitória Cribb e Welket Bungué

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.3594

Palavras-chave:

antirracismo, algoritmos, audiovisual, representações da violência, recursividade

Resumo

O artigo descreve três obras artísticas audiovisuais (@ Ilusão, Bustagate e Eu Não Sou Pilatus, produzidas respectivamente pelos artistas Vitória Cribb e Welket Bungué, entre 2019 e 2020) para debater como elas tratam, cada uma à sua maneira, o tema da repetição da violência contra corpos negros no ambiente numérico das redes; invocando uma análise qualitativa e estética dos procedimentos empregados nos vídeos e também dos locais em que eles foram disponibilizados, explora-se a hipótese, seguindo Hui (2021), de que a arte joga luz sobre a irracionalidade do racismo viabilizado por algoritmos e assim pode constituir uma necessária aproximação ao sublime, ao não-racional. Ao exercitar tal movimento, os criadores propiciam mais que discussões de temática escapista da realidade, pois instauram perspectivas essencialmente antirracistas, ao denunciar a irracionalidade explícita da violência, como em Bungué, ou ao modelar a deformidade dos sistemas algorítmicos, como em Cribb. É na recursividade transformada em artefato que as possibilidades de interpretação de fenômenos como espancamentos e execuções bárbaras ganham complexidade: as repetições do social encontram materialidade no audiovisual, em novos discursos sobre o espalhamento digital. Além de se apontar para responsabilizações daqueles que permitem violências e replicam suas representações — dentro e fora das redes —, conclui-se que as implicações sociais derivadas do uso das redes, a perpetuar certas violências, são apropriadas pelos artistas em forma e conteúdo, e assim podem habitar espaços mais abertos à reflexão e ao diálogo.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia Autor

Eduardo Prado Cardoso, Centro de Estudos de Comunicação e Cultura, Faculdade de Ciências Humanas, Universidade Católica Portuguesa, Lisboa, Portugal

Eduardo Prado Cardoso é graduado em audiovisual pela Universidade de São Paulo (2011) e mestre em realização e produção cinematográfica (2017) pelas universidades Lusófona (Portugal), Edinburgh Napier (Reino Unido) e Tallinn (Estônia). É doutorando em estudos de cultura na Universidade Católica Portuguesa, com bolsa da Fundação para a Ciência e a Tecnologia, e seus interesses de pesquisa se relacionam às culturas de massa e populares, às representações de violência e à modernidade tardia.

Referências

Bungué, W. (Diretor). (2019). Eu não sou Pilatus [Filme]. Kussa Productions.

Bungué, W. (Diretor). (2020). Bustagate [Filme]. Kussa Productions.

Corrêa, L. G. (2020). Intersectionality: A challenge for cultural studies in the 2020s. International Journal of Cultural Studies, 23, 823–832. https://doi.org/10.1177/1367877920944181

Couldry, N., & Hepp, A. (2016). The mediated construction of reality. Polity Press.

Cribb, V. (2020, 10 de novembro). @ ilusão [Vídeo]. new art city. https://newart.city/catalog/illusao-vitoria-cribb

Edwards, E. D. (2020). Graphic violence: Illustrated theories about violence, popular media and our social lives. Routledge.

Ferrell, J., Hayward, K., & Young, J. (2008). Cultural criminology: An invitation. SAGE Publications.

Giddens, A. (1991). As consequências da modernidade (R. Fiker, Trad.). Editora UNESP. (Trabalho original publicado em 1990)

hooks, b. (1992). Black looks: Race and representation. South End Press.

Hui, Y. (2019). Recursivity and contingency. Rowman & Littlefield International.

Hui, Y. (2021). Art and cosmotechnics. e-flux.

Kilomba, G. (2008). Plantation memories: Episodes of everyday racism. Unrast.

Kitchin, R., & Dodge, M. (2011). Code/space: Software and everyday life. MIT Press.

Lytle, R. D., Bratton, T. M., & Hudson, H. K. (2021). Bystander apathy and intervention in the era of social media. In J. Bailey, A. Flynn, & N. Henry (Eds.), The Emerald international handbook of technology facilitated violence and abuse (pp. 711–728). Emerald Publishing Limited. https://doi.org/10.1108/978-1-83982-848-520211052

Marcelino, V., & Câncio, F. (2021, 19 de janeiro). Foi ódio racial que matou Bruno Candé, acusa Ministério Público. Diário de Notícias. https://www.dn.pt/sociedade/investigacao-da-pj-provou-odio-racial-no-homicidio-de-bruno-cande-13247985.html

Oliveira, A. B. de. (2020). Breaking canons: Intersectional feminism and anti-racism in the work of black women artists. Vista, (6), 79–100. https://doi.org/10.21814/vista.3060

Ramos, D. O. (2015). Ontologia do espaço numérico: Investigação preliminar a partir do diagrama. In I. Machado (Ed.), Diagramas-explorações no pensamento-signo dos espaços culturais (pp. 53–69). Editora Alameda.

Ramos, D. O. (2017). A violência a partir do número e suas modelizações: Mapeamento inicial. In M. Barbosa, M. do C. S. Barbosa, M. Z. V. Ferreira, & C. M. Machado (Eds.), Anais do 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação: Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. 40º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação (pp. 1–12). Intercom. https://portalintercom.org.br/anais/nacional2017/resumos/R12-0279-1.pdf

Ramos, D. O. (2020). A fragmentação da esfera pública e sua mediação pelo algoritmo: Discurso de ódio, violência da positividade e novas literacias. In B. Saada (Ed.), Caminhos da comunicação: Tendências reflexões sobre o digital (pp. 52–60). Appris.

Rezende, P. D. (2020). Simulacro e repetição como contrainformação na era da sociedade de controle. interFACES,2(30), 103–119. https://revistas.ufrj.br/index.php/interfaces/article/view/37688

Silva, T. (2020). Visão computacional e racismo algorítmico: Branquitude e opacidade no aprendizado de máquina. Revista da Associação Brasileira de Pesquisadores/as Negros/as (ABPN),12(31), 428–448. https://doi.org/10.31418/2177-2770.2020.v12.n.31.p428-448

van Dijck, J., Poell, T., & Waal, M. de. (2018). The platform society. Oxford University Press.

Publicado

2021-12-15

Como Citar

Prado Cardoso, E. (2021). Repetições da Violência na Arte de Vitória Cribb e Welket Bungué. Vista, (8), e021012. https://doi.org/10.21814/vista.3594

Edição

Secção

Artigos