As Formas de Autoinscrição nos Cinemas Africanos Contemporâneos: O Caso do Cinema em Moçambique

Autores

  • Michelle Sales Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil/Programa de Pós-Graduação em Multimeios, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil https://orcid.org/0000-0003-1589-4003 (não autenticado)

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.6997

Palavras-chave:

cinema moçambicano, autoinscrição, ruínas, tempo pós-soviético

Resumo

Esse artigo pretende discutir as formas através das quais o cinema moçambicano contemporâneo dá a ver imagens contra-hegemônicas acerca da “representação nacional” ou sobre a história recente de Moçambique nos filmes de Inadelso Cossa, Lara Sousa e Yara Costa. Buscaremos analisar, através da obra desses três realizadores, imagens que nos convoquem a repensar Moçambique em relação à sua memória, história e identidade. Ao expandir a noção do cinema moçambicano e considerar filmes realizados ainda durante a guerra colonial, pretende-se aprofundar a forma como o cinema moçambicano revisita, aprofunda e questiona o legado, a experiência e a estética advindos dos anos do Instituto Nacional de Cinema, cujo fim trágico, em 1991, põe fim ao cinema revolucionário ou de libertação (Andrade-Watkins, 1995), como também ao modelo estatal de produção de cinema moçambicano, que teve de ser reinventado a partir daí. Assim, interessa compreender de que modo o cinema moçambicano contemporâneo inscreve imagens do país a partir de um lugar de deslocamento, fragmentação e inacabamento onde a memória se torna campo de disputa e criação e a autoinscrição um gesto de soberania epistêmica. A análise articula uma leitura estética dos filmes contemporâneos moçambicanos Memória em Três Actos (2017), Fin (Fim; 2017) e The Crossing (A Passagem; 2014), buscando compreender como tais obras tensionam o legado do Instituto Nacional de Cinema e do projeto revolucionário da Frente de Libertação de Moçambique. Esse texto é livremente inspirado no ensaio “As Formas Africanas de Auto-Inscrição”, do filósofo Achille Mbembe (2001).

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Biografia do Autor

  • Michelle Sales, Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade, Instituto de Ciências Sociais, Universidade do Minho, Braga, Portugal/Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil/Programa de Pós-Graduação em Multimeios, Instituto de Artes, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil

    Michelle Sales é professora associada na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Multimeios da Universidade Estadual de Campinas e do Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho. É curadora independente da 16.ª edição do KUGOMA, Fórum de Cinema em Moçambique.

Referências

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Publicado

2026-06-17

Como Citar

As Formas de Autoinscrição nos Cinemas Africanos Contemporâneos: O Caso do Cinema em Moçambique. (2026). Vista, 17, e026007. https://doi.org/10.21814/vista.6997

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