Liberando Mentes: O Legado Intelectual de Angela Davis e Suas Imagens no Cinema

Autores

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.5505

Palavras-chave:

decolonial, cinema negro independente, Angela Davis, abolicionismo

Resumo

Propomos pensar o legado intelectual de Angela Davis a partir de uma perspectiva decolonial. Ressaltamos que, assim como a luta pelos direitos civis e o fim da segregação racial nos Estados Unidos ajudaram a consolidar o movimento negro no Brasil, a circulação de ideias anticoloniais durante as lutas pela descolonização dos países africanos, nas décadas de 1950 e 1960, foi crucial para a circulação de ideias abolicionistas e movimentos antirracistas nos Estados Unidos e no exterior. Analisaremos intercâmbios capazes de apontar "o reconhecimento de diferenças coloniais múltiplas e heterogêneas, bem como as reações múltiplas e heterogêneas de populações e sujeitos subordinados à colonialidade do poder" (Bernardino-Costa & Grosfoguel, 2016, p. 21). Nossa contribuição busca analisar Davis como uma intelectual militante por meio de suas imagens no cinema. Além de considerar a imagem de Angela Davis no cinema enquanto representação, também analisamos como suas atividades intelectuais e políticas estiveram envolvidas com o florescimento de um novo cinema negro nos Estados Unidos. Este artigo analisa filmes como Child of Resistance (Filho da Resistência; 1973), Free Angela and All Political Prisoners (Libertem Angela e Todos os Presos Políticos; 2015) e 13th (2016).

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Biografias Autor

Michelle Sales, Departamento de Artes Visuais, Escola de Belas Artes, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Brasil

Michelle Sales é investigadora, professora e curadora independente. É professora associada na Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (2010) e colabora no Programa de Pós-Graduação em Multimédia na Universidade Estadual de Campinas. Michelle coordenada a rede de pesquisa Cinemas Pós-Coloniais e Periféricos, no Brasil e em Portugal, e o projeto As Práticas Artísticas Contemporâneas e o Pensamento Pós-Colonial e Decolonial. É doutorada em Estudos Contemporâneos pela Pontifícia Universidade do Rio de Janeiro e pela Universidade de Coimbra (2018–2020). Entre 2014 e 2020, integrou o Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, onde coordenou o projeto À Margem do Cinema Português (2020), financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian. Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian no programa Investigadores Estrangeiros (2013–2014). Trabalha nas seguintes áreas: estudos pós-coloniais, feminismo interseccional e estudos fílmicos.

Bruno Muniz, Associação Humana Povo para Povo Brasil, Salvador, Brasil

Bruno Muniz é doutor em Ciências Sociais pela London School of Economics and Political Science, onde estudou o movimento social Funk É Cultura no Rio de Janeiro sob a orientação de Juan Pablo Pardo-Guerra, Mike Savage e Paul Gilroy. Sua tese utilizou teorias pós-coloniais e análise crítica bourdieusiana, empregando entrevistas semiestruturadas e etnografia multissituada. Bruno foi investigador de pós-doutoramento no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, envolvido no projeto POLITICS, que examina as políticas antirracismo na Europa e na América Latina, centrando-se nas taxas de encarceramento por autodeclaração étnica no Peru e no Brasil. Tem grande experiência na angariação de fundos e gestão de projetos, trabalhando com várias agências internacionais e governamentais.

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Publicado

2024-05-22

Como Citar

Sales, M., & Muniz, B. (2024). Liberando Mentes: O Legado Intelectual de Angela Davis e Suas Imagens no Cinema. Vista, (13), e024005. https://doi.org/10.21814/vista.5505

Edição

Secção

Artigos Temáticos