As Formas de Autoinscrição nos Cinemas Africanos Contemporâneos: O Caso do Cinema em Moçambique
DOI:
https://doi.org/10.21814/vista.6997Palavras-chave:
cinema moçambicano, autoinscrição, ruínas, tempo pós-soviéticoResumo
Esse artigo pretende discutir as formas através das quais o cinema moçambicano contemporâneo dá a ver imagens contra-hegemônicas acerca da “representação nacional” ou sobre a história recente de Moçambique nos filmes de Inadelso Cossa, Lara Sousa e Yara Costa. Buscaremos analisar, através da obra desses três realizadores, imagens que nos convoquem a repensar Moçambique em relação à sua memória, história e identidade. Ao expandir a noção do cinema moçambicano e considerar filmes realizados ainda durante a guerra colonial, pretende-se aprofundar a forma como o cinema moçambicano revisita, aprofunda e questiona o legado, a experiência e a estética advindos dos anos do Instituto Nacional de Cinema, cujo fim trágico, em 1991, põe fim ao cinema revolucionário ou de libertação (Andrade-Watkins, 1995), como também ao modelo estatal de produção de cinema moçambicano, que teve de ser reinventado a partir daí. Assim, interessa compreender de que modo o cinema moçambicano contemporâneo inscreve imagens do país a partir de um lugar de deslocamento, fragmentação e inacabamento onde a memória se torna campo de disputa e criação e a autoinscrição um gesto de soberania epistêmica. A análise articula uma leitura estética dos filmes contemporâneos moçambicanos Memória em Três Actos (2017), Fin (Fim; 2017) e The Crossing (A Passagem; 2014), buscando compreender como tais obras tensionam o legado do Instituto Nacional de Cinema e do projeto revolucionário da Frente de Libertação de Moçambique. Esse texto é livremente inspirado no ensaio “As Formas Africanas de Auto-Inscrição”, do filósofo Achille Mbembe (2001).
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