Papéis de mulher: narratividade e silenciamento na fotografia doméstica

Autores

  • Michel de Oliveira Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil

DOI:

https://doi.org/10.21814/vista.3015

Palavras-chave:

fotografia doméstica, narrativas femininas, reconfiguração da intimidade, silenciamento

Resumo

O relato a seguir apresenta uma reflexão decorrente da pesquisa sobre a relação entre fotografia e saudade. Ao ouvir depoimentos de pessoas idosas, com base na metodologia da fotografia como disparadora do gatilho da memória, destacaram-se questões ligada à temática de gênero. Foi possível perceber como os álbuns de família são artefatos mnemônicos organizados, preservados e narrados pelas mulheres. Ao contrapor a função de guardiã da memória familiar com as atuais demandas da midiatização da fotografia amadora, percebe-se o movimento de reconfiguração do álbum, com a exposição dos registros domésticos nas redes sociais da internet, que destitui as mulheres velhas do papel socialmente estabelecido, configurando outra instância de silenciamento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Referências

Aquino, L. (2016). Picture ahead: a Kodak e a construção do turista-fotógrafo. São Paulo: Edição do Autor.

Barthes, R. (1984). A câmara clara: notas sobre a fotografia. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Batchen, G. (2006). Forget me not: Photography and remembrance. Princeton: Princeton Architectural Press.

Berger, J. (2003). Usos da fotografia, in J. Berger, Sobre o olhar (pp.53-65). Barcelona: Gustavo Gili.

Benjamin, W. (2012). A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica, in W. Benjamin, Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura (pp.179-212). São Paulo: Brasiliense.

Boni, P. C. (2017). O uso da fotografia como disparadora do gatilho da memória: uma proposta metodológica para auxiliar o processo de recuperação e preservação da história, in M. O. Drigo, L. C. P. Souza, L. M. De Barros, M. R. Da Costa (eds). Imagem e conhecimento: que relação é essa, afinal? (pp.139-159). Jundiai: Paco Editorial.

Boni, P. C., Unfried, R. R., & Benatto, O. (2013). Memórias fotográficas: a fotografia e fragmentos da história de Londrina. Londrina: Midiograf.

Bosi, E. (2003). O tempo vivo da memória: ensaios de psicologia social. São Paulo: Ateliê Editorial.

Bosi, E. (1994). Memória e sociedade: lembrança de velhos. São Paulo: Companhia das Letras.

Bourdieu, P. (2003). Un arte medio: ensaio sobre los usos sociales de la fotografia. Barcelona: Gustavo Gili.

Bourdieu, P. & Bourdieu, M.-C. (2006). O camponês e a fotografia. Revista de Sociologia e Política, 26, 31-39. Consultado em: http://revistas.ufpr.br/rsp/article/view/8103/5720 .

Hoffmann, M. L. (2010). Guardião de imagens: “memórias fotográficas” e a relação de pertencimento de um pioneiro com Londrina. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina. Londrina, Brasil.

Kossoy, B. (2012). Fotografia & História. São Paulo: Ateliê Editorial.

Kossoy, B. (2007). Os tempos da fotografia: o efêmero e o perpétuo. São Paulo: Ateliê Editorial.

Kracauer, S. (2009). A fotografia, in: S. Kracauer, O ornamento da massa: ensaios (pp.63-80). São Paulo: Cosac Naify.

Leite, M. M. (2001). Retratos de família: leitura da fotografia histórica. São Paulo: Edusp.

Lipovetsky, G. & Charles, S. (2004). Os Tempos Hipermodernos. São Paulo: Barcarolla.

Nora, P. (1993). Entre memória e história: a problemática dos lugares. Projeto História 10, 7-28. Consultado em: http://revistas.pucsp.br/index.php/revph/article/viewFile/12101/8763.

Oliveira, M. (2018). Saudades eternas: fotografia no limiar entre a morte e a eternidade. Londrina: Eduel.

Oliveira, M. de & Boni, P. C. (2015). Dos álbuns às redes virtuais: a midiatização das fotografias de família. Tríade: Comunicação, Cultura e Mídia, Sorocaba, v. 3, n. 5, 41- 57. Consultado em: http://periodicos.uniso.br/ojs/index.php/triade/article/view/2255/1944.

Pereira, A. C. (2015). Memória e História: o uso da mídia fotografia para a recuperação histórica da Usina Hidrelétrica de Capivara, na visão de antigos trabalhadores de Iepê. Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina. Londrina, Brasil.

Perrot, M. (2005). As mulheres ou os silêncios da história. Bauru: Edusc.

Pollak, M. (1989). Memória, esquecimento, silêncio. Estudos Históricos vol. 2, no3, 3-15. Consultado em: http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/reh/article/view/2278/1417

Ricoeur, P. (1997). Tempo e narrativa: Tomo III. Campinas: Papirus.

Schapochnik, N. (1998). Cartões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade. In N. Sevcenko (Ed.). História da vida privada no Brasil. República: da Belle Époque à Era do Rádio (pp.423-513). São Paulo: Companhia das Letras.

Sibilia, P. (2008). O show do eu: a intimidade como espetáculo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

Silva, A. (2008). Álbum de família: a imagem de nós mesmos. São Paulo: Senac.

Sontag, S. (2003). Diante da dor dos outros. São Paulo: Companhia das Letras.

Teixeira, J. de O. (2013). A proposta metodológica da fotografia como disparadora do gatilho da memória: aplicação à história de Telêmaco Borba - PR (1950-1969). Dissertação de Mestrado, Universidade Estadual de Londrina. Londrina, Brasil.

Downloads

Publicado

2019-07-30

Como Citar

de Oliveira, M. (2019). Papéis de mulher: narratividade e silenciamento na fotografia doméstica. Vista, (4), 57–73. https://doi.org/10.21814/vista.3015